Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

O valor da Filosofia

Para que serve a filosofia?
Desidério Murcho

A filosofia, diz-se por vezes, não serve para nada. [...]

Mas será verdade que a filosofia não serve para nada? Claro que não. A filosofia, como a ciência, como a arte e como a religião, serve para alargar a nossa compreensão do mundo. Em particular, a filosofia oferece-nos uma compreensão da nossa estrutura conceptual mais básica, oferece-nos uma compreensão daqueles instrumentos que estamos habituados a usar para fazer ciência, para fazer religião e para fazer arte, assim como na nossa vida quotidiana. A filosofia é difícil porque se ocupa de problemas tão básicos que poucos instrumentos restam para nos ajudarem no nosso estudo. Os matemáticos fazem maravilhas com os números; mas são incapazes de determinar a natureza última dos próprios números -- têm de se limitar a usá-los, apesar de não saberem bem o que são. Todos nós sabemos pensar em termos de deveres, no dia a dia; mas a filosofia procura saber qual é a natureza desse pensamento ético que nos acompanha sem nós darmos muitas vezes por isso.

Para compreendermos melhor as dificuldades da filosofia é conveniente pensar numa metáfora. Imagine-se que eu estou a fazer uma casa. Preciso de usar vários instrumentos, como a pá de pedreiro, e vários materiais, como o cimento. Mas quando quero fazer uma pá de pedreiro, ou quando quero fazer o cimento, terei de usar outros instrumentos mais básicos. E depois terei de ter instrumentos para fazer os instrumentos com que faço a pá de pedreiro ou o cimento. E por aí fora. Experimente ir para uma ilha deserta fazer uma casa, sem levar nada da civilização. Será extremamente difícil: não terá instrumentos à sua disposição para fazer nada, excepto as suas mãos e a sua inteligência.

Num certo sentido, é esta a dificuldade da filosofia: estamos a tentar estudar os próprios instrumentos que usamos habitualmente para pensar. Por esse motivo, falta-nos instrumentos, falta-nos apoio. Mas não estamos completamente desamparados; temos a argumentação para nos ajudar. São os argumentos que fazem a diferença. São os argumentos que nos permitem ir mais longe na compreensão da nossa estrutura cognitiva mais profunda, que nos permitem compreender melhor os conceitos que usamos no pensamento quotidiano, científico, artístico e religioso.

É agora claro que a filosofia serve para alguma coisa. Serve para compreendermos melhor a estrutura conceptual que usamos no dia-a-dia, na ciência, nas artes e na religião. Claro que a filosofia não serve para distrair o "povo", como o futebol ou a tourada. Mas também a matemática não serve para isso, nem a religião, nem a arte em geral. Para que serve "Os Maias" de Eça de Queirós? Para que serve a teoria da evolução de Darwin? Para que nos serve saber que só na nossa galáxia há tantas estrelas quantos os segundos que existem em 3 mil anos? Serve para sabermos mais sobre nós próprios e sobre o universo em que habitamos. Tal como a filosofia.

MURCHO, Desidério (2000). O que é a filosofia?

publicado por Luís M. M. Duarte às 12:41
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2 comentários:
De António G. Gomes a 15 de Outubro de 2007 às 22:43
De facto a Filosofia não serve para nada...



... de aquilo que a sociedade moderna acolhe como sendo útil.
Por exemplo, a Filosofia não é simples. Por sua vez é muito exigente a nível intelectual.

A Filosofia é incómoda, pois faz com que não se fique satisfeito com o que já se obteve mas sim com o que mais se pode obter, ou seja, dá mais valor às inúmeras questões que coloca, que consequentemente vão gerar mais respostas e, certamente, novas perguntas.

É chato...

Já para não falar que não é nada objectiva. Não é como a Matemática, cujo problema gerado é resolvido, sempre do mesmo método: subtracção, adição, divisão, e multiplicação = resultado final.

De Bláicha a 12 de Fevereiro de 2008 às 15:29
Prefiro 1000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000x ter Filosofia q matemática -.-''
Ao menos nas aulas de Filosofia ñ adormeço como acontece nas de matemática xD é sempre a mesma coisa...contas, contas, contas, contas e mais contas e em Filosofia falamos de coisas diferentes, tipo quem é que nunca ouviu a mesma pergunta q fazia vezes e vezes sem conta a si mesmo numa aula de Filosofia? Há assuntos que nos interessam, prontos também há em Matemática mas isso é diferente pelo menos a mim ñ me interessa saber fazer o mesmo coiso de 20 maneiras diferentes. E vá lá Filosofia ñ é assim tão difícil, eu ñ estudo para isso e apanho sempre positiva xD talvez se os alunos ñ ficassem tipo "Filosofia é secante." e ñ fossem para as aulas todos "murchos" pq acham que aquilo é mesmo uma seca mas nem tentaram OUVIR como deve ser o q o professor diz, apanhassem melhores notas.

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