Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Diálogo e tolerância entre Culturas, Etnias e Religiões: como seria o mundo ideal do Amor?

Diálogo e tolerância cultural

Ser humano hoje é uma experiência globalizante e radical.  A pessoa humana não se concebe mais senão inteira, em todas as suas dimensões, não só a racional, não só a da inteligência nem só a das sensações. No fundo, a experiência do ideal, da tradição cultural, do sentido da vida e da fé purificam a razão, no sentido de que lhe mostram, no interior mesmo de sua actividade rigorosa e teórica, a precariedade de suas conquistas, inseparável de sua dignidade.  Essas experiências vão permitir a qualquer pessoa aventurar-se pelo verdadeiro conhecer e o verdadeiro saber que não releva apenas da razão, porque encontra sua origem em "outro" Saber ou no saber de Outro.  Encontra sua raiz, em suma, no amor.

A experiência da verdade e da busca da verdade vai ser então e cada vez mais experiência de paixão pela verdade.  Verdade esta que não se rende plenamente ao esforço da ciência, mas se inscreve num conhecimento que é inseparável do amor. Toda vivência cultural, toda experiência de fé, toda civilização estará, portanto, situada em meio  a uma pluralidade e diversidade imensa de experiências  E é este o ponto onde o ser humano é chamada a,  humilde e firmemente, desarmar-se de seus preconceitos sem abdicar de sua identidade, abrir os ouvidos e a boca e entrar de cheio na amorosa aventura do diálogo com a cultura, a tradição,  religião do outro.

O ser humano deve, pois,   defrontar-se hoje com outro fenómeno que lhe complexifica o quadro no interior do qual se desenvolve a sua vida,  o seu trabalho e a sua reflexão: o da pluralidade cultural e religiosa e a interpelação do diálogo inter-cultural e  inter-religioso. Essa pluralidade cultural e  religiosa levanta para o ser humano de hoje algumas interpelações bastante sérias. 

Para realmente ser tolerante e dialogar num mundo multicultural e pluri-religioso, há  que estar dispostos, a encontrar uma nova atitude amorosa e  palavras novas para dizer coisas antigas e tradicionais e fazer-se entender. 

Uma pergunta, por exemplo, que se impõe hoje-em-dia, ainda que formulada de muitas diferentes maneiras, é a que está actualmente revolvendo as entranhas dos seres humanos de hoje,  à semelhança do tempo que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, quando a teologia se perguntava: "Como é possível falar de Deus depois de Auschwitz?" pergunta-se, novamente aterrorizada e perplexa:  Como é possível falar de Deus a um mundo onde as culturas, as etnias e as religiões tem mostrado um rosto de violência, de guerra e de morte e onde o nome de Deus é invocado para atacar e matar os próprios semelhantes em nome de uma homogeneização civilizatória ou cultural de todo o planeta? O ser humano hodierno percebe-se, então, não tanto instado a  responder a perguntas, mas responder a, ou ser responsável por, ou ser ouvinte de apelos.  Apelos que vêm de Deus,  mas que - na Escritura também,  com maior frequência, vêm de outro ser humano. 

Do outro que, muitas vezes tem outra cultura, outra etnia e outra fé, que experimenta e nomeia Deus de outro modo e vive a sua humanidade de outro modo. Ouvindo estes apelos, o ser humano do terceiro milénio será então chamado a ser um perito em tolerância e abertura , alguém que descobrirá o caminho do amor como revelado a si mesmo pelo outro, pelo diferente, por aquele ou aquela que tem outra cultura, outra etnia, outra religião que a minha.  Só assim, entretecendo essas diferenças e fazendo-as formar um tecido polifónico, multicor e plural, é que se poderá construir um outro mundo onde o amor seja uma realidade e não apenas um sonho.

Maria Clara Lucchetti Bingemer

publicado por Luís M. M. Duarte às 12:10
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