Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

Sexualidade Humana - Estilos e Teorias do Amar

 

1. Teoria sobre os Estilos de Amar

(Lee, 1977, 1988)

 

1.1. Três Estilos Primários de Amar:

1.1.1 Eros

1.1.2 Ludus

1.1.3 Storge

 

1.2. A sua combinação pode dar lugar a muitos estilos secundários dos quais os mais importantes são:

1.2.1 Mania

1.2.2 Pragma

1.2.3 Ágape

 

2.Teoria Triangular do Amor

(Sternbern, 1984, 1985)

 

2.1.Três Componentes:

2.1.1 Intimidade (elemento emocional

2.1.2 Paixão (elemento motivacional)

2.1.3 Compromisso (elemento cognitivo)

 

3. Atributos das Três Componentes do Amor

 


1. Teoria sobre os Estilos de Amar

(Lee, 1977, 1988)

 

1.1.1 Eros

Este tipo de amor começaria sempre por uma profunda atracção física e a presença da pessoa amada produziria uma excitação. O prazer físico desempenharia um papel muito importante neste estilo de amar.

 

1.1.2 Ludus

Caracteriza-se pela ausência de um ideal de pessoa a quem amar e pela recusa da ideia de se dedicar toda a vida a uma pessoa.

Seria um estilo de amar permissivo e pluralista.

 

1.1.3 Storge

Seria um estilo baseado no desenvolvimento, ao longo do tempo, do afecto, da amizade e de um profundo compromisso.

 

1.2.1 Mania

Neste estilo existe uma preocupação obsessiva pela pessoa amada, são frequentes os ciúmes e é muito possessivo. Necessita de uma absoluta e contínua certeza de se ser amado. O estilo mania resulta da combinação de eros e do ludus.

Deseja uma relação intensa e excitante, mas tende a escolher pessoas inadequadas, o que o leva a enamorar-se com grande facilidade e a manipular a relação para não sentir que ama mais do que é amado.

 

1.2.2. Pragma

Neste caso procura-se, fundamentalmente, uma pessoa compatível connosco. A educação, motivação, idade, religião e outras características sócio-demográficas são questões a ter em conta na hora de encontrar alguém a quem se possa amar. Assim, este estilo de amar resulta da combinação de ludus e do storge porque, uma vez este encontrado, poderia converter-se numa relação de afecto e compromisso.

 

1.2.3  Ágape

Este seria o tipo de amor altruísta em que se dá amor sem se esperar reciprocidade. Guiar-se-ia mais pela razão do que pela emoção. Ágape é uma mistura de eros e de storge.

Este estilo de amar, segundo Lee, é muito pouco comum.

 


2.Teoria Triangular do Amor

(Sternbern, 1984, 1985)

 

2.1. Intimidade

Refere-se aos sentimentos que numa relação promovem a proximidade, a vinculação e a conexão. Assim. Incluiria entre outros: o desejo de promover o bem-estar do outro em momentos difíceis, compreensão mútua, partilhar tudo o que se tem e se é com o outro, receber apoio emocional e dar apoio emocional à pessoa amada, ter uma comunicação íntima com ele/ela, valorizar a pessoa amada na nossa vida.

 

2.2 Paixão

Refere-se a impulsos que conduzem ao romance, à atracção física, à consumação sexual. Não obstante, além das necessidades sexuais, outro tipo de necessidades de filiação, domínio, submissão, auto-estima...) podem desempenhar um papel importante na experiência da paixão.

 

2.3.Decisão/Compromisso

Compreende dois aspectos, um a curto e outro a longo prazo. O primeiro consiste na decisão que se toma de amar o outro. O segundo consiste no compromisso para manter esse amor. Geralmente, o compromisso segue-se à decisão, embora tal não implique que tenham necessariamente de coexistir.

 

2.3.1  Não–Amor

As três componentes do amor estão ausentes. Isto corresponde à maior parte das nossas relações pessoais, que são simplesmente interacções casuais.

 

2.3.2 Gostar

A intimidade é o único componente presente. È aquilo que se sente na amizade verdadeira e em muitas relações amorosas. É proximidade, compreensão, suporte emocional, afecto, ligação, ternura. Nem paixão nem compromisso estão presentes.

 

2.3.3 Apaixonado

A paixão é o único componente presente. É o “amor à primeira vista”, uma forte atracção física e excitação sexual, sem intimidade e sem compromisso. Pode iniciar-se abruptamente e morrer ainda mais rapidamente – ou, dadas certas circunstâncias, pode por vezes durar bastante tempo.

 

2.3.4 Amor vazio

O compromisso é o único componente presente. Surge muitas vezes nas relações de longo prazo que perderam toda a intimidade e paixão, ou em casamentos “arranjados”.

 

2.3.5 Amor Romântico

Intimidade e paixão estão presentes.

Os amantes românticos estão fisicamente e emocionalmente envolvidos um com o outro. Contudo, não estão comprometidos um com o outro.

 

2.3.6 Amor Companheiro

Intimidade e compromisso estão presentes. Consiste numa relação comprometida e de amizade de longo prazo, que muitas vezes ocorre em casamentos nos quais a atracção física morreu mas em que ambos se sentem próximos um do outro e tomaram a decisão de estar juntos.

 

2.3.7 Amor Apaixonado

Estão presentes o compromisso e a paixão, sem a intimidade. Este é o tipo de amor que leva a um namoro intempestivo, no qual o casal assume um compromisso na base da paixão sem se darem tempo para desenvolverem alguma intimidade. Este tipo de amor habitualmente não é duradouro, apesar da intenção inicial para se comprometerem.

 

2.3.8 Amor Consumado

Todas as componentes estão presentes neste amor “completo”, o qual a maior parte das pessoas anseiam por encontrar, especialmente nas relações românticas. É mais fácil de atingir do que de manter. Um dos parceiros pode mudar, relativamente àquilo que pretende da relação. Se o outro parceiro muda também, a relação pode evoluir para uma forma diferente; mas se não muda, a relação pode dissolver-se.


 

 

3. Atributos das Três Componentes do Amor

Componente

Atributos

Intimidade

Paixão

Decisão / Compromisso

Estabilidade no tempo

Moderadamente alta

Baixa

Moderadamente alta

Controlo consciente

Moderado

Baixo

Alto

Importância em relações de curta duração

Moderada

Alta

Baixa

Importância em relações de longa duração

Alta

Moderada

Alta

Aspectos em comum entre diversos tipos de relações amorosas (amante, amigo, pais...)

Muitos

Poucos

Moderados

Implicações psicofisiológicas

Moderadas

Altas

Baixas

Grau de consciência da sua presença

Moderadamente baixo

Alto

Moderadamente alto

 

 

 

 

 

publicado por Luís M. M. Duarte às 16:07
link do post | comentar | favorito
|
4 comentários:
De Manuel António Barreiros a 19 de Setembro de 2007 às 16:37
Muito interessante. Parabens.
De Francisco Oliveira a 19 de Setembro de 2007 às 16:38
Espero que coloque mais artigos deste género. São muito uteis.
De David Oliveira a 19 de Setembro de 2007 às 16:40
Uba. Ainda há pouco tempo que colocou o post e já lhe enviaram 2 comentários. Este é o terceiro. Espero que coloque mais artigos.
Penso que no amor e no amar tudo é importante e depende de cada um vivê-lo.
De Luís M.M. Duarte a 19 de Setembro de 2007 às 16:44
De facto, meu amigo, no amor tudo é possível e tudo deverá valer a pena, conquanto seja verdadeiro, intenso e sólido.
Não há nem poderá haver regras, padrões ou fórmulas mágicas, do tipo alquímico e/ou cardápio culinário: cada caso é absolutamente intransmissível e singular. Porém, optou-se por colocar Estilos e Teorias de Amar e do Amor, como ponto de partida para o diálogo, nada mais. Elas, embora sejam o reflexo dos autores supra-citados, valem o que valem, nada mais.

Comentar post

Luís M. M. Duarte (Coordenação)

pesquisar

 

Abril 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
29
30

posts recentes

Os "Sexalescentes" do Séc...

O fenómeno atual multimod...

A REDEFINIÇÃO (DA NOÇÃO) ...

V Comemoração do Dia Mund...

V Comemoração do Dia Mund...

O que é a Filosofia? - Um...

IV Comemoração do Dia Mun...

Comemoração do 25 de Abri...

Os Valores

II, A Racionalidade práti...

arquivos

Abril 2017

Maio 2015

Abril 2012

Novembro 2011

Novembro 2010

Abril 2010

Março 2010

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

links

blogs SAPO

subscrever feeds