Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

DEBATE: Temas/Problemas do Mundo Contemporâneo

De acordo com o programa de Filosofia do Ensino Secundário, seleccionaram-se alguns dos principais temas/problemas do mundo contemporâneo, nomeadamente, o ponto 4. da II Unidade - A ACÇÃO HUMANA E OS VALORES – e o ponto 3. da IV Unidade - O CONHECIMENTO E A RACIONALIDADE CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA -, em relação ao 10.º e 11.º anos, respectivamente.

 

  • Os direitos humanos e a globalização;
  • Os direitos das mulheres como direitos humanos;
  • A responsabilidade ecológica;
  • A manipulação e os meios de comunicação de massas;
  • O racismo e a xenofobia;
  • O voluntariado e as novas dinâmicas da sociedade civil;
  • A obra de arte na era das indústrias culturais;
  • A dessacralização do mundo e a perda do sentido;
  • A paz mundial e o diálogo inter-religioso;
  • A ciência, o poder e os riscos;
  • A construção histórico-social da ciência;
  • O trabalho e as novas tecnologias;
  • O impacto da sociedade da informação na vida quotidiana;
  • A industrialização e o impacto ambiental;
  • A investigação científica e os interesses económico-políticos;
  • A tecnociência e a ética;
  • A manipulação genética;
  • Outros.

Sugere-se um debate sobre um destes temas.

O comentário deverá conter argumentos que contemplem não apenas aspectos positivos, mas também aspectos negativos, bem como a posição pessoal sobre o mesmo.

publicado por Luís M. M. Duarte às 13:07
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4 comentários:
De Laura F. a 5 de Outubro de 2007 às 00:10
Será que os direitos das mulheres fazem, realmente, parte dos direitos humanos?
Primeiramente, dever-se-ia tentar definir o que são direitos (humanos ou não).
Há uma série de definições para a noção de direito. Há vários pontos de vista. Para tentar dar uma definição exacta, optei por pesquisar no dicionário o significado da palavra. Semanticamente, podemos dizer que vaio do Latim directu, recto, que não é curvo. Diz ainda que é um «conjunto de leis e disposições legais que regulam obrigatoriamente as relações da sociedade, quer do ponto de vista da sociedade, quer do ponto de vista das pessoas, quer do ponto de vista dos bens». Ainda diz mais: «regalia, privilégio».
Então, ter um determinado direito é ter um privilégio?
Do meu ponto de vista, não. Se considerarmos o direito «todas as pessoas têm direito à vida», então quer dizer que as pessoas que estão vivas são umas sortudas! Gozam de um privilégio. A vida. Isso leva-nos a outra questão. A questão do aborto. Para a discutirmos, teríamos de discutir onde começa a vida. Mas não nos dispersemos.
Ter um direito é como possuir uma determinada característica. Por exemplo, a felicidade. Toda a gente tem o direito a ser feliz. Embora saibamos que nem toda a gente é feliz. Por questões familiares, políticas, sociais… Mas é uma coisa que toda a gente pode ser. Para mim, isso é um direito.
Depois de definirmos direito, não era má ideia se tentássemos definir mulher (em termos gerais).
«Pessoa do sexo feminino, depois da puberdade; pessoa adulta do sexo feminino; esposa; senhora»
Então, juntemos agora, direitos das mulheres. Quer-se dizer então que as mulheres devem ter determinados tipos de privilégios que crianças e os homens não têm? Não será rebaixar um pouco as mulheres?
Só se fazem ''listas'' de direitos para as mulheres e para as crianças. Não há para os homens porquê? As mulheres são consideradas o sexo fraco. Talvez uma das muitas respostas que se poderia dar a esta pergunta.
Na minha opinião, acho que não deveriam sequer existir direitos das mulheres, mas só os direitos do Homem. Embora sejam de sexos diferentes, embora tenham uma maneira de pensar diferente (é discutível), as mulheres não deixam de pertencer à sociedade, logo, não devem haver direitos Humanos (que englobam o homem e a mulher) com os direitos da mulher inseridos. Porque, deste ponto de vista, a mulher é igual ao homem, por isso estamos a tratá-la de maneira diferente.
De Luís M. M. Duarte a 9 de Outubro de 2007 às 14:53
Sendo este um espaço de debate e de reflexão, reservo-me o direito de não criticar – no sentido filosófico do termo – a opinião que foi apresentada, malgrado reconheça a pertinência de algumas das questões levantadas e que, felizmente, infirmam o lugar comum e preconceituoso que os jovens são uma “geração rasca” –, apesar de não poder deixar de apresentar alguns esclarecimentos.
De facto, a Declaração Universal dos Direitos Humanos ou, simplesmente, do Homem, aplica-se, por extensão, tanto aos direitos da Mulher como os da Criança, trata-se de uma conceito transcendental.
Mas, então, como explicar a existência da simultaneidade dos Direitos da Mulher e da Criança? Não será uma forma de discriminação positiva ou redundância ético-legal?
Pessoalmente – e sem pretender sequer gizar os seus contornos –, considero que, infelizmente, estes Direitos, além de serem necessários, devem ser cada vez mais esgrimidos, escalpelizados, sendo um dever cívico de cada um de nós pugnar e almejar a sua exequibilidade, real e efectiva.
Dado que se assiste a sórdidos atropelos aos mesmos, inclusive nas sociedades ditas civilizadas e desenvolvidas, urge, consequentemente, a sua defesa.
Concordo, categórica e irrepreensivelmente, com a afirmação “não deveriam sequer existir direitos das mulheres, mas só os direitos do Homem”, acrescentando, ainda, e todos restantes Direitos, inclusive do Homem, se vivêssemos num mundo utópico, justo, equitativo, onde a liberdade e a responsabilidade se fundissem e mantivessem entre si um nó górdio. Aí, sim, nem as próprias leis seriam necessárias, porém, a realidade histórica dita diferentes contornos…
O que devemos é contrariar essa tendência, individual e colectivamente e não escamotear, hipócrita e egoisticamente, os problemas e delegar nos outros a obrigação de lutar por direitos que competem a todos nós: a cada um de nós.
De Filipa Lima (10ºA) a 10 de Outubro de 2007 às 18:25
Parece que de um momento para o outro todos se lembraram que têm de "ajudar" o meio ambiente, reciclar, não poluir, etc. . Muitas pessoas passaram a ter ecopontos em casa para poderem dizer: "Sou ecologista!". Mas será que são mesmo, só porque têm uma caixa pequena com três divisões na qual separam diariamente o seu lixo? Eu sinceramente, acho que isto é apenas o princípio para se ser ecologista, um pequeno ponto. Então e todos os anos passados com o lixo todo misturado no mesmo saco e atirado, muitas vezes, para a ribeira, mar, terrenos, etc. ? Ah, disso já não se lembram! Ou não se querem lembrar!
São ecologistas? Muito bem, então os seus filhos vão para a escola de transportes públicos, ou mesmo a pé; quando está na rua e quer deitar algo fora, mete SEMPRE no caixote do lixo; as suas lindas plantas do quintal só têm adubos naturais; em casa, não tem duas ou três televisões acesas ao mesmo tempo, ou, mesmo, várias luzes ligadas sem serem precisas, etc. , etc. . Nunca?
Se aqueles que se dizem por ecologistas cumprissem com todas estas afirmações, e outras mais, então aí, receberiam os meus parabéns. Mas quantos cumprem com tudo isto à risca? Muito poucos!
As pessoas fazem reciclagem, porque ficaram com medo. Viram na televisão e nos jornais que o mundo estava em perigo e por isso começaram a reciclar, pensando que os problemas ambientais do nosso planeta iriam acabar. É pena que estejam enganados!
Eu faço reciclagem em casa, quanto às outras afirmações, limito-me a dizer que não sou ecologista, embora gostasse de o ser.
Uma e grande razão para não haverem muitos ecologistas, ou, verdadeiros ecologistas, é o facto de estarmos tão dependentes das coisas materiais, que nos impedem de termos maior contacto com a natureza, e acabam até por a "estragar". A solução possível para aumentar a responsabilidade ecológica nas pessoas está na educação. Se todos ensinassem a pouco e pouco aos seus filhos pequenos a responsabilidade ecológica, estes de certeza que iriam ser melhores que os pais, a este nível, e por aí adiante.
De Laura F. a 11 de Novembro de 2007 às 12:41
Um tribunal da Columbia, EUA, negou o acesso a tratamentos experimentais aos doentes oncológicos terminais que não façam parte de grupos de estudo. Sabendo que estes medicamentos poderiam representar para esses doentes a única esperança da sobrevivência, será isto correcto?
Revista SÁBADO, 8 de Novembro de 2007

Depende das situações. Por exemplo, a pessoa A não está inscrita e está numa fase terminal. Então não se deveria inscrever se queria beneficiar (aqui, beneficiar é uma palavra perigosa, pois não sabemos se a pessoa beneficiaria realmente) deste novo tratamento? Por outro lado, e se o tratamento não desse resultado? Se o tratamento fosse de tal maneira ineficaz que matasse de imediato a pessoa?
Mas a pessoa está no estado terminal e quis experimentar o tratamento.
Tudo isto depende também de outro factor. A idade da pessoa. Imaginemos que a pessoa A tem oito anos. É menor de idade e haverá alguém a decidir por ela. Dizem os médicos que essa pessoa só tem dois meses de vida. E se a criança vive num orfanato? Bom, neste caso, as pessoas que tomam conta das crianças nem vão pensar duas vezes. Dirão logo que sim, pois isto implica dinheiro. Mas se a criança não quiser fazer o tratamento?
A criança tem liberdade de escolha neste caso?
Como não deviam existir direitos da criança, passo directamente para os direitos do homem.
"Artigo 19.º
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão." (http://www.fd.uc.pt/hrc/enciclopedia/onu/textos_onu/dudh.pdf)
Mas será que, no caso da criança órfã, seria mesmo ela a decidir? Se esta declaração se aplica a TODOS os Homens, então também se aplica às crianças. Mais, não há nenhum artigo que diga que os pais decidem pelas crianças salvo o artigo nº26 que se refere à educação da criança (Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos).
Mas voltando ao assunto principal. Só numa situação é que a pessoa poderia fazer o tratamento. Passo a explicar:
Se a pessoa fosse maior de idade (não se põe a questão do poder de decisão); se a pessoa estivesse consciente do que iria fazer; se a pessoa tivesse toda a informação possível sobre o tratamento / nível de eficácia (dentro do possível); se essa fosse mesmo a única esperança de sobrevivência; se esses medicamentos já tivessem sido experimentados em outros seres que não humanos.
Com estas condicionantes, a pessoa deveria poder fazer o tratamento.

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Luís M. M. Duarte (Coordenação)

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