Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

Engenharia Genética

Com o objectivo de iniciar o debate, optou-se pela ENGENHARIA GENÉTICA.

Entende-se por Engenharia Genética a manipulação dos genes num organismo que, por via de regra, se processa fora do processo normal reprodutivo deste mesmo organismo, de forma a introduzir novas características e aumentar a sua utilidade, tal como produção de novas proteínas ou enzimas.  

A engenharia genética oferece, a partir do estudo e manuseio bio-molecular, a obtenção de materiais orgânicos sintéticos.

Os processos de indução da modificação genética permitiram que a estrutura de sequências de bases completas de DNA fossem decifradas, facilitando, assim, a clonagem de genes.

Deste modo, a Engenharia Genética tanto poderá ser utilizada para fins eticamente reprováveis, como a inseminação in vitro à la carte, entre outros, como ser aplicada, igualmente, para fins medicamente irrepreensíveis, como a clonagem de genes na síntese de alguns sub-produtos utilizados para o tratamento de diversas doenças, os organismos geneticamente modificados (OGM), aplicações biotecnológicas da modificação genética, por exemplo, vacinas sintéticas (contra a malária e a Hepatite B, entre outras), a insulina, os interferonas, a interleucina, proteínas do sangue (albumina, factor VIII, activadores das defesas orgânicas, como o factor necrosante de tumores, para o tratamento do cancro).

Em qualquer uma das suas dimensões, positiva e/ou negativa, existe sempre, porém, o perigo e o risco do seu uso e abuso, bem como a assimetria entre as intenções e a realidade, entre a teoria e a prática, entre a investigação descomprometida e os interesses económico-político-sociais que, directa ou indirectamente, lhe estão associados. Até porque, em última análise, as investigações científicas, individuais ou em equipa, nunca ou quase nunca se efectuam à margem de custos e de investimento público e/ou privado…

Longe vai o tempo da concepção iluminista e ingénua da ciência pela ciência e, com ela, do engagement do cientista pelo saber que aspira perscrutar.

publicado por Luís M. M. Duarte às 13:59
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4 comentários:
De José Melo a 4 de Outubro de 2007 às 16:28
Li e gostei muito, mas não percebi a frase: "concepção iluminista e ingénua da ciência pela ciência e, com ela, do engagement do cientista pelo saber que aspira perscrutar". Pode-me ensinar? Obrigado.
De Laura F. a 5 de Outubro de 2007 às 00:25
A engenharia Genética é demasiado reprovada pela sociedade. Como foi referido, há demasiado interesse no dinheiro que tudo isto envolve. Quanto à inseminação in vitro à la carte... penso que não é má ideia, embora a ética nos diga o contrário. Com conta, peso e medida, claro. Por exemplo, saber de antemão e escolher a cor dos olhos/cabelo etc... da pessoa. Não. Isso não. Mas se soubermos que a criança poderá nascer com Sindroma de Dawn, aí sim, acho que devemos intervir. Podemos, no entanto, discutir se a doença/incapacidade da criança poderá fortalecer os pais ou não. Bem, quanto a isso, penso que é uma pura perda de tempo. Afinal estamos a aproveitar a vida de um pessoa para nos servirmos dela. Isso é puro egoísmo, coisa que a sociedade é perita nos dias de hoje.
De Gualter Barbas Baptista a 8 de Outubro de 2007 às 01:36
Bom artigo. O debate da filosofia sobre a engenharia genética é da maior relevância e infelizmente tem estado bastante ausente em Portugal.

Convido a uma visita ao meu blogue pessoal, http://ingenea.pegada.net, focalizado em discutir vários aspectos da utilização da engenharia genética na agricultura.
De Luís M. M. Duarte a 8 de Outubro de 2007 às 13:37
Agradeço e retribuo o comentário ao blog.
Acedi e verifiquei que se trata de alguém com um espírito cáustico e contundente.
É necessário e cada vez mais, sobretudo face a uma sociedade amorfa, céptica, resignada, acrítica e, mais grave ainda, mergulhada num niilismo. O arejamento mental e o carácter acutilante do pensamento, além de estruturante e revitalizante, urge.

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Luís M. M. Duarte (Coordenação)

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