Terça-feira, 16 de Outubro de 2007

Temas/Problemas do Mundo Contemporâneo: A MAÇONARIA


A maçonaria foi uma associação que nasceu há muito tempo atrás, na idade média. Maçon quer dizer '' pedreiro '' em Francês e provém de uma altura em que determinados pedreiros (não no sentido que tem hoje a palavra) sabiam o segredo de construir telhados sem que eles se desmoronassem. Ganhavam bastante dinheiro com isso porque, como já referi, só eles sabiam tal segredo. Vem daí o carácter secreto da associação.

É agora mais comum falar do assunto e há mais pessoas interessadas nele por causa do processo casa Pia. Mas não vamos falar disso.
Há quem diga que a maçonaria é um conjunto de pessoas que fazem ''favores'' entre si. As provas de entrada são duríssimas, e a pessoa em questão (chamar-lhe-emos pessoa A) será '' perseguida '' durante cerca de um ano. A pessoa que vai admitir ou não a sua entrada (pessoa B) terá acesso a ficheiros confidenciais da pessoa A.

Depois da pessoa A entrar, há uma série de questões que não podem ser ignoradas. Por exemplo, a pessoa A não pode referir a terceiros quem faz parte da associação…
É uma organização mundial que nos põe a pensar. Uma minoria da população faz parte desta associação, no entanto, têm um grande poder sobre a vida de toda a gente.
Vamos dar um exemplo:

O pai da pessoa A está muito doente e necessita de uma transferência para um bom hospital para ser operado. Mas esse hospital está cheio de gente e não há lugar para mais ninguém. Então, a pessoa A faz um telefonema para a pessoa B e a pessoa B faz para a pessoa C que é amiga da pessoa D, que é director do hospital e que consegue arranjar um lugar para o pai da pessoa A.

Até aqui, tudo bem. Ou não.

Será justo para as pessoas XX, VV, R… que estão em lista de espera para aquela operação serem passadas à frente por causa de conhecimentos? Não, não é justo. Por isso é que muitas pessoas não são '' condenadas '' ao que devem.

E como este exemplo, há muitos. Tanto em coisas com pouca importância (como, por exemplo, ter uma determinada nota na escola), até coisas de máxima importância (como não ser condenado por um crime que se cometeu).

Depois, se por qualquer razão, a pessoa que entrou quer sair… Bem, é quase mais difícil sair do que entrar. Porque se sabe determinadas coisas que, quando se sai, estamos livres para falar.

Portanto, suponhamos que a pessoa A consegue sair. As mesmas pessoas que lhe fizeram os favores, serão as mesmas pessoas que contactarão a pessoa B, C, D… para '' arruinar '' a vida da pessoa A.

Então, poder-se-á dizer que quem entra já não sai. 

Laura Falé, ALuna do 10.º A (Escola Secundária de Ribeira Grande)

publicado por Luís M. M. Duarte às 13:55
link do post | comentar | favorito
|
6 comentários:
De Luís M. M. Duarte a 16 de Outubro de 2007 às 14:37
De facto, a Maçonaria comporta não apenas aspectos positivos, como, igualmente, negativos. Como, aliás, tudo.
Idênticos à Maçonaria, nesses aspectos negativos, andam de mãos dadas os lobbies, os jogos de interesse, tanto de agrupamentos corporativos, como de afinidades ideológicas e económicas: do desporto à política, da economia à organização social, em geral.
Uma coisa é a existência de grupos, nada mais legítimo: as pessoas relacionam-se pelas afinidades, valores e identificação; outra, bem diferente, é a ditadura dos interesses que certas "elites", ainda que minoritárias, tentam impor aos demais, minando e desrespeitando os direitos da maioria efectiva...
O nosso dever consiste em detectá-los e denunciá-los e, para isso, será necessário o nosso compromisso e empenhamento cívico, ético e racional. Apurar a análise e transcender a aparência: questioná-la.
De Laura F. a 16 de Outubro de 2007 às 18:10
Mas como é que podemos denunciar este género de atitude se o que fazem não é reprovável em termos criminais? É só eticamente reprovável para alguns e, para outros, não é. É verdade que desrespeitam a maioria, mas sabemos que a maioria não se impõe e, mesmo que se impusesse, a organização conseguiria sempre «dar a volta». Porque as pessoas no geral não querem ficar sem ''os favores'', mesmo que não façam parte da maçonaria. (como é o caso do pai da pessoa A. Ele não tinha nada a ver com a organização, mas por causa da Maçonaria, foi beneficiado ). E há muito poucas pessoas que são capazes de passar por cima disso e dizer «Não!». Porque as outras pessoas, se derem voz ao pensamento, nunca mais vão ser ''favorecidas'' em relação aos outros. E, como já referi noutro post , a sociedade em que vivemos é uma sociedade egoísta.
Se é uma sociedade egoísta, podemos chegar à conclusão que todas as pessoas que fazem parte da Maçonaria são egoístas.
De Luís M. M. Duarte a 17 de Outubro de 2007 às 14:16
A questão não é fácil: ela reflecte, no fundo, a querela ancestral entre o indivíduo e o colectivo; o privado e o público. A agravar, essa relação acentua-se através de uma minoria privada que contribui ou pode contribuir para salvaguardar os seus direitos à custa de uma maioria pública...
Não tenho pretensões moralistas nem tão-pouco messiânicas, somente a consciência que o Homem – se é que é lícito falar-se da nossa espécie numa forma essencial, descarnada, abstracta e universal –, é extremamente paradoxal: capaz das maiores façanhas e feitos altruístas e, simultaneamente, egoísta e individualista.
Se existissem fórmulas mágicas, julgo que já teriam sido aplicadas a esta e às restantes sociedades organizadas e ditas de Estado de Direito, a não ser que existissem interesses ocultos e sonegados à sua não exequibilidade…
“Mas como é que podemos denunciar este género de atitude se o que fazem não é reprovável em termos criminais?” Novamente, creio que não necessito responder à tua pergunta; ela é retórica e, portanto, comporta a solução, ainda que insolúvel…
Mas se a sociedade, qualquer que ela seja, é a união de indivíduos, e se a sua dinâmica reflecte as motivações individuais, através de um mecanismo interactivo de acção-reacção, então quanto mais conscientes, esclarecidos e críticos forem os seus agentes, maior será a capacidade social em evitar ou, pelo menos, denunciar algumas vicissitudes internas à mesma.
O facto das atitudes que referes não serem puníveis criminalmente, são-no a nível ético e moral, pelo menos, reprováveis. E para isso o melhor remédio será, em termos kantianos, o uso do imperativo categórico, o qual, embora não seja uma qualquer fórmula ou regra material – que seria sempre ineficaz, quer pelo seu carácter fáctico e contingente, quer pelos condicionantes relativistas do tempo e do espaço em que se circunscrevesse determinada sociedade –, norteia as consciências individuais, segundo o qual se deve proceder de maneira que a nossa acção possa querer que a nossa máxima se torne uma lei universal, ou seja, o princípio de acção individual dever-se-á assumir como princípio universal, não em conformidade ao dever e à lei (por medo das represálias), mas por dever (por respeito incondicional à mesma). Façamos o que fizermos, devemos fazê-lo para que se torne numa acção digna de ser imitada universalmente. Noutros termos, não querer para os outros aquilo que não se deseja para nós.
É uma solução demasiado formal e racional, é certo, porém se rejeitarmos esta dimensão que é privilégio humano, pouco existirá em que nos possamos ancorar.
O facto de teres tematizado e comentado esse assunto reflecte, por si só, por um lado, que nem todos os indivíduos são egoístas e individualistas e, por outro, que são amorfos, dogmáticos e conformados com certas injustiças e vicissitudes. Oxalá sejam cada vez mais e mais e mais, …, e todos possamos contribuir para tornar o nosso Mundo um pouco melhor, para nós e para os vindouros.
De Laura F. a 17 de Outubro de 2007 às 21:45
Sim, é verdade que devemos respeitar, não por sermos punidos criminalmente, mas por termos consciência do que está certo ou, pelo menos, do que é eticamente reprovável. Mas, como o professor disse e muito bem, a nossa sociedade é individualista e egoísta e a maioria das pessoas actua segundo a punição criminal. Por exemplo, é comum as pessoas dizerem: «-Põe o cinto que está ali a Polícia!» e não: «Põe o cinto porque, se tivermos um acidente, magoar-nos-emos!».
As pessoas têm medo de repercussões e têm medo que '' se fale ''. Preocupam-se mais com o que dizem delas do que propriamente consigo. Considero isto, uma forma de egoísmo, embora pareça que me estou a contrariar.
O que ainda não se percebeu é que, se fizermos uma boa acção (como a junção para acabar com este género de associações) podemos ser imitados e ser congratulados. Mas a mesquinhez supera este género de '' dificuldade ''. E, tal como disse, é demasiado racional.
De Júlio A. T. dos Santos a 12 de Outubro de 2008 às 09:15
Laura Falé,
muitas das afirmações que fazes não correspondem à realidade. Ex.: - o candidato a maçon não é "perseguido" cerca de um ano, nem ninguém tem acesso aos seus ficheiros privados; por outro lado, todo o maçon tem ampla e total liberdade para sair. sem que a sua vida seja "arruinada", etc.

Creio oportuno e necessário para desfazer mitos e preconceitos, que se saia desses lugares comuns sempre envoltos na névoa do mistério e na verrina da maledicência.
Quando se fala em maçonaria, há no inconsciente colectivo um lastro antigo, herdado ainda do regime fascista, que de vez em quando ainda aflora nalguns espíritos e que continuam a ser transmitidos às pessoas da tua idade.

Seria preferível obter-se informação para tentar responder à seguinte pergunta:

QUE ORGANIZAÇÃO É ESTA QUE :

- os comunistas acusaram de reaccionária e aliada dos grandes interesses financeiros;
- os fascistas apodaram de plutocrática e ligada ao comunismo e judaísmo internacionais;
- a Igreja crismou de "heretica pravidade", ao serviço do demónio,

mas que diz cultivar o Livre Pensamento, que fez a independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa, que liderou as revoluções liberais e republicanas, que teve e tem no seu seio, monarcas e presidentes da República, bispos e
leigos, operários e intelectuais, crentes de todas as religiões e agnósticos de todas as sensibilidades ???

Faz-me pensar duas vezes quando leio comentários, porventura mais fundamentados em leituras apressadas, ocasionais e preconceituosas, do que numa informação cuidada desta Organização, que teve no seu seio homesns como Mozart ou Goethe, que gerou quase todos os Presidentes dos Estados Unidos e que, em Portugal, agregou gente como,

Gago Coutinho ; Alexandre Herculano ; Elias Garcia ; António José de Almeida ; Bulhão Pato ; Augusto Aguiar ; Freitas Gazul ; Almeida Garret ; Amadeu Gaudêncio ; José Fontana ; Branquinho da Fonseca ; Afonso Costa ;
José Gomes Ferreira ; Trindade Coelho ; Pinheiro Chagas; Bernardino Machado ; Heliodoro Salgado ; Latino Coelho ; Miguel Bombarda ; Candido dos Reis ; José Braancamp ; Camilo Castelo Branco ; António Feliciano de Castilho ; Ferreira Borges ; João Domingos Bontempo ; Bocage ; Carvalho Araújo ; Abel Salazar ; José Relvas ; Grandella ; Óscar Monteiro Torres ; Teófilo Carvalho dos Santos ; Santos Pousada ; Artur Portela ; Bordalo Pinheiro ; Sebastião José de Carvalho e Melo ; Camilo Pessanha ; Passos Manuel ; Consiglieri Pedroso ; Tomás Oom ;
Teixeira de Pascoais ; Carlos da Maia ; Alfredo Keil ; Egas Moniz ; Norton de Matos ; Vitorino Nemésio ...

Por outro lado, as moradas (e os telefones) das sedes dessas "associação secreta" vêm nas listas telefónicas e elas podem ser visitadas por qualquer pessoa, os seus directores dão entrevistas na comunicação social, elas estão constituídas legalmente por Escritura Notarial, têm Número Fiscal e pagam impostos como qualquer outro contribuinte.

Se quiseres, podes ler um texto do Fernando Pessoa, sobre a Maçonaria, em http://www.lojasaopaulo43.com.br/fernandopessoa.php

Na realidade e com a informação disponível actualmente, as "Teorias da Conspiração" à volta da Maçonaria, já não fazem muito sentido nos dias de hoje,
embora dê menos trabalho simplificar o assunto e continuar nessa crença da "Associação de Malfeitores".

(o e-mail acima, está disponível para qualquer dúvida ou ajuda neste tema)







De Luís M. M. Duarte a 13 de Outubro de 2008 às 16:26
Como poderá verificar, não é nossa intenção impedir ou filtrar opiniões e/ou ideias. Pelo contrário, todas elas são bem-vindas, desde que obedeça aos critérios estipulados. O seu comentário não só cumpre esses desígnios, como nos dão forças para prosseguir a sua manutenção.



Comentar post

Luís M. M. Duarte (Coordenação)

pesquisar

 

Abril 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
29
30

posts recentes

Os "Sexalescentes" do Séc...

O fenómeno atual multimod...

A REDEFINIÇÃO (DA NOÇÃO) ...

V Comemoração do Dia Mund...

V Comemoração do Dia Mund...

O que é a Filosofia? - Um...

IV Comemoração do Dia Mun...

Comemoração do 25 de Abri...

Os Valores

II, A Racionalidade práti...

arquivos

Abril 2017

Maio 2015

Abril 2012

Novembro 2011

Novembro 2010

Abril 2010

Março 2010

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

links

blogs SAPO

subscrever feeds