Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Essência ou existência? Liberdade e responsabilidade

Não é por acaso que os pensadores de hoje falam mais facilmente da condição do homem que da sua natureza (para Sartre, o Homem não tem essência, isto é, não nasce acabado, livre; pelo contrário, o seu inacabamento obriga-o a tornar-se livre, a existir). Por condição entendem mais ou menos distintamente o conjunto dos limites "a priori" que esboçam a sua situação fundamental no universo. As situações históricas variam: o homem pode nascer escravo numa sociedade pagã ou senhor feudal ou proletário. Mas o que não varia é a necessidade para ele de estar no mundo, de lutar, de viver com os outros de ser mortal.  

Os limites não são nem subjectivos nem objectivos, têm antes uma face objectiva e uma face subjectiva.

Objectivos, porque tais limites se encontram em todo o lado e em todo o lado são reconhecíveis; subjectivos, porque são vividos e nada são se o homem os não deixar viver, quer dizer, se o homem não se determina livremente na sua existência em relação a eles."

Jean-Paul Sartre, O Existencialismo é um Humanismo, p.216-217. 

publicado por Luís M. M. Duarte às 12:27
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3 comentários:
De Laura F. a 4 de Novembro de 2007 às 23:11
A liberdade do homem está exactamente no seu poder de decisão perante os mais diversos assuntos. Mas também cabe ao Homem decidir com responsabilidade , embora, se for irresponsável, agirá na mesma.
O texto fala de limites. Mas se Homem tem toda a liberdade e poder de decisão perante o assunto A, então não tem limites. Os limites são para ''coisas'' que devem ser de uma determinada maneira. Passo a explicar:
Se vamos a um café e pedimos uma tosta, o educado seria chamar o empregado e dizer: « Podia trazer-me uma tosta, por favor?». Isto seria boa educação. Poderia dizer também: «Podia-me trazer uma tosta?», o que já não é tão boa educação mas, está ''dentro dos limites''. O que passaria os limites seria o seguinte exemplo: «Ó homem, dá-me uma tosta depressa! Despacha-te!» Isto ultrapassaria os limites. Mas o Homem pode ultrapassá-los. Quantas vezes não estamos perante situações destas?
Então, volto a repetir, o Homem tem toda a liberdade de decidir portanto não tem limites. Mas será que isto é mesmo assim?
Reflectindo, podemos chegar à conclusão que, embora os exemplos estejam correctos, a conclusão está errada. A liberdade engloba o '' para cá dos limites '' e o '' para lá dos limites ''. Podemos mais facilmente visualizar esta explicação, imaginando uma linha com o exemplo anterior:

L Boa educação
I
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A liberdade do homem está exactamente no seu poder de decisão perante os mais diversos assuntos. Mas também cabe ao Homem decidir com responsabilidade , embora, se for irresponsável, agirá na mesma. <BR>O texto fala de limites. Mas se Homem tem toda a liberdade e poder de decisão perante o assunto A, então não tem limites. Os limites são para ''coisas'' que devem ser de uma determinada maneira. Passo a explicar: <BR>Se vamos a um café e pedimos uma tosta, o educado seria chamar o empregado e dizer: « Podia trazer-me uma tosta, por favor?». Isto seria boa educação. Poderia dizer também: «Podia-me trazer uma tosta?», o que já não é tão boa educação mas, está ''dentro dos limites''. O que passaria os limites seria o seguinte exemplo: «Ó homem, dá-me uma tosta depressa! Despacha-te!» Isto ultrapassaria os limites. Mas o Homem pode ultrapassá-los. Quantas vezes não estamos perante situações destas? <BR>Então, volto a repetir, o Homem tem toda a liberdade de decidir portanto não tem limites. Mas será que isto é mesmo assim? <BR>Reflectindo, podemos chegar à conclusão que, embora os exemplos estejam correctos, a conclusão está errada. A liberdade engloba o '' para cá dos limites '' e o '' para lá dos limites ''. Podemos mais facilmente visualizar esta explicação, imaginando uma linha com o exemplo anterior: <BR><BR>L Boa educação <BR>I <BR class=incorrect name="incorrect" <a>B</A> <BR>E <BR class=incorrect name="incorrect" <a>R</A> ----------------- Limite <BR>D <BR>A <BR>D <BR>E Má educação <BR><BR>Sendo assim, o Homem é livre de agir, de decidir, mas há limites dentro da própria liberdade. Podemos chamar a isso liberdade condicionada, e dizer que o homem ''vive'' nessa liberdade <BR>
De Laura F. a 4 de Novembro de 2007 às 23:13
Exemplo

______________________________________
Boa educação Limite Má educação


Entenda-se que a linha (____) representa toda a liberdade.
De Laura F. a 4 de Novembro de 2007 às 23:15
A liberdade do homem está exactamente no seu poder de decisão perante os mais diversos assuntos. Mas também cabe ao Homem decidir com responsabilidade, embora, se for irresponsável, agirá na mesma.
O texto fala de limites. Mas se Homem tem toda a liberdade e poder de decisão perante o assunto A, então não tem limites. Os limites são para ''coisas'' que devem ser de uma determinada maneira. Passo a explicar:
Se vamos a um café e pedimos uma tosta, o educado seria chamar o empregado e dizer: « Podia trazer-me uma tosta, por favor?». Isto seria boa educação. Poderia dizer também: «Podia-me trazer uma tosta?», o que já não é tão boa educação mas, está ''dentro dos limites''. O que passaria os limites seria o seguinte exemplo: «Ó homem, dá-me uma tosta depressa! Despacha-te!» Isto ultrapassaria os limites. Mas o Homem pode ultrapassá-los. Quantas vezes não estamos perante situações destas?
Então, volto a repetir, o Homem tem toda a liberdade de decidir portanto não tem limites. Mas será que isto é mesmo assim?
Reflectindo, podemos chegar à conclusão que, embora os exemplos estejam correctos, a conclusão está errada. A liberdade engloba o '' para cá dos limites '' e o '' para lá dos limites ''. Podemos mais facilmente visualizar esta explicação, imaginando uma linha com o exemplo anterior:


__________________________________
Boa educação Limite Má educação

Note-se que a linha (___) representa toda a liberdade

Sendo assim, o Homem é livre de agir, de decidir, mas há limites dentro da própria liberdade. Podemos chamar a isso liberdade condicionada.
É nesse ''regime'' de liberdade que o Homem vive.

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Luís M. M. Duarte (Coordenação)

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