O que me magoa não é tanto aquilo que perceciono.
O que me magoa nem sequer se perceciona.
Sinto dor do passado e do futuro,
E de tudo que meu ser ambiciona.
Sinto saudades das próprias saudades que sentia,
Quando era menino.
Sinto saudades das coisas que jamais sentirei,
Quando já não existir.
O que sinto, no presente, é como uma névoa,
Vivo-o na voracidade do momento.
Que absurdo é esta forma de ser e de sentir…
Ancorado entre o desespero e o alento.
Atracado no presente, que não é,
Peregrino do futuro que, quando advém,
Cristaliza-se, como múmia, no passado.
Insatisfeito, almejo a própria insatisfação.
Tento aprisioná-la, mas, como areia,
Escoa-se-me por entre os dedos,
Como um castelo de areia,
À mercê das ondas do mar.
Desejo o próprio desejo,
Dessas coisas belas que não só nunca as fruirei,
Como nunca talvez existirão.
Tenho, como Espanca, fome e sede de infinito.
Atormento-me pelas formas informes,
Que nem as coisas conseguem informar
Ou as formas materializar,
Os sentimentos, sentir; a razão, conhecer ou o amor, idealizar.
São como se o desejo
Fosse uma águia, cujas asas, uma a uma,
Fosse perdendo,
Entre o voo altivo e seu premente precipitar.
LD
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